Correnteza

 

Captura de tela 2013-08-09 às 21.53.05

 

Fez-se um rio.

De um choro muito profundo, uma amargura tão grande,

veja só,

Fez-se um rio.

 

Que na mente de quem se engana podia bem ser riso.

Eu rio

você rio

o nosso pranto riu.

 

Do nosso pranto, rio

Do nosso pranto, veja,

corre agora um fio.

 

Do meu pranto

Espanto!

Vejo agora um riso.

 

E o fio que passa pelo meu peito,

passa no teu pensamento por um fio.

Passa como um rio, o riso da desfeita

que o chorar fez doer.

 

Faz-se fim,

Faz-se uma troça do nosso fim,

um atropelo.

Parto de mim

Parte-se em mim num relâmpago

Um tropeço,

Passa por mim esse presságio de silêncio

Calo, e logo choro, e rio.

E mais uma vez sou silêncio.

 

Ressabiado o choro recanta e soluça.

Ah, fosse o choro um riso ou um rio.

Fosse um rio passava por nós

Passava e carregava de mim um pedaço para si, de si um pedaço para mim.

 

Ai rio, mas corres num só sentido e assim me deixas sem resposta!

 

Um rio que passa leva-me toda e deixa mais nada.

O sorriso que fica, não tem sentido.

É só farsa.

De quem não tem mais nada a passar dentro de si.

 

Ah, choro, se fosses riso, era como um rio que passava dentro de mim.

.

.

.

.

Foto de Olivia Bee

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