Poema do Grito

4 T

Abaixem as armas e levantem uma bandeira

O orgulho nunca foi tão bem-quisto

se é orgulho pela pátria.

Que de mãe gentil ultimamente não tem nada,

Mas que de repente acordou as entranhas

E nas mãos de quem sai às ruas grita.

Grita a dor de uma mágoa por séculos comedida.

Quem é sinhô manda

Quem é povo fica,

Sim, sinhô. E marcha de cabeça baixa…

Como peão em jogo de xadrez a dançar.

Dança meu povo a frenética dança das bombas,

dos salões de baile das avenidas,

coreografada pela política.

Dançam também as quadrilhas.

Numa grande festa que não foi feita para eles.

Que foi construída para o povo, pelo povo,

mas dela só participa rei. Dançam todos felizes em Brasília, longe do grito,

Versailles reconstruída. Democracia-demagogia.

Quem é povo, não mais obedece.

Chega de tanta obediência!

Não há mais lugar para decência, moral ou condenação.

O povo todo é um, e deve assim agir.

O povo sou eu, é você, e aquele que ainda acha que tudo é pouco.

Quem é povo grita.

Quem é povo grita.

QUEM É POVO GRITA.

Não há maior violência que o silêncio forçado.

Mas hoje o dia amanhecerá sem pena

A cidade desgarrará sua resiliência.

Não será nunca mais a mesma.

Quem é povo grita.

Quem é povo grita.

QUEM É POVO GRITA.

E até mesmo nas profundezas da terra

se ouvirá o tremor do chão

a balançar sob pés de quem não mais marcha,

mas caminha na direção do horizonte.

 

 

 

A imagem é o quadro Navio de Emigrantes de Lasar Segall. Me pareceu muito apropriado.

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