O que somos

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O que dizer do espaço fino e estreito por onde penetram as palavras e os gritos? E por que achar que a esperança ainda mora no peito se não há motivo.

Por que viver se não há luz e se nada mais parece estar vivo

Se tudo apenas parece funcionar como máquina

e toda sorte de gente parece máquina

 

E toda sorte de bicho parece sobreviver

E toda sorte de gente parece sobreviver.

O que dizer de uma saudade que não quer sair do corpo e partir

E de um corpo que não quer partir porque prefere viver na saudade?

 

Este tempo ´ inda é de partido. E de partidos e repartições e compartimentos.

Onde estão os homens inteiros?

Embaixo de alguma superfície plástica craquelada.

Buscam

– talvez –

uma saída ou uma chegada.

Uma resposta

Um motivo

Uma piada

Uma vida, uma sobrevida, uma migalha

 

Este tempo de pirraça, de olho por olho

de gente que se diz artista, mas não passa de caroço

De pouco fazer e muita falácia

Pouca briga e muita chorumela

Só de pirraça

de músicas iguais

de gente igual

de passos iguais

ideias – que ideias?

são todas reprodução, cópia, pirataria vagabunda.

 

Tempo de pouca audácia

De reprimir os sentidos

e cumprir os horários

Sacar o dinheiro

Gastar no boteco

Perder-se nas esquinas

Gastar-se nos buracos

Esconder-se no infinito do finito das horas

Que não são mais que tempo perdido

 

Somos o que não somos. E vivemos pelo que fomos. Seremos o que não queremos e nossos sonhos estarão só nos sonhos.

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