Sutilezas caóticas

Falo um milhão de vezes um nome que não existe,

me abalo através do espaço nesse confessionário.

Nado entre a catarata e o riacho.

Onde há uma fenda que me engole.

Respiro, embora encoberta por água.

 

Se o espaço me cobre,

devo me aquecer no seu acolhimento.

Me entregar a um desfecho estranho e caótico; não devo resistir.

O óbvio é o que menos ocorre

também o que menos atinge.

São as sutilezas

com que a vida diz o que de fato importa

o que carrega este fato todos os dias dentro de um corpo.

 

Maré,

maré, que não existe em água doce,

me dança.

Mesmo que no leito do rio,

neste ritmo composto com a lua.

 

Acalanto dos mares,

me atira, como se respirar fosse fácil

debaixo da trama complexa que fazem as correntes e também as trilhas.

Me alcança um tanto mais por dentro

Me abandona um tanto mais para o lado

Do lado de quem vem

E não daquele de quem se vai.

 

 

 

 

 

 

 

 

foto de Eliot Lee Hazel

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