Olhos que não me dizem

 

Dançam as coincidências e contradições num único semblante:

O seu, que reluz mesmo à sombra, numa pacífica luz branca de corpo nu.

 

Devem os teus olhos possuir luz própria; cintilam,

ainda que tudo à volta seja puro breu.

 

Que o breu seja o grande negro das minhas incertezas,

seriam os teus olhos a solução.

Era de amar impontualmente que nossos corpos agitavam-se.

Um desencontro de espaço-tempo: momentos apartados.

Seria o teu profundo olhar incrustado no meu uma premonição,

ou um aviso? Dirá sim ou não? Será uma confirmação

ou somente um deboche?

 

Afagam-me as horas que não são mais um sofrimento.

Apenas aproximam-me do exato momento da descoberta,

da revelação dos sentidos.

Não me custam porque, ainda que lentamente, passam.

E sinto-me um passo a frente de mim mesma há pouco tempo atrás.

 

Estamos tão perto, e tão longe.

Mas estamos no mesmo caminho,

sentidos opostos,

rumo ao encontro.

 

Farejo o teu enlace na minha inspiração.

 

 

fotografia de Vivian Maier

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2 comentários sobre “Olhos que não me dizem

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