Renúncia

 

Passeio pelos meus próprios passos e não há

O caminho não há

Apenas nasce imediatamente atrás dos meus pés

Logo menos eu passe.

 

Sigo em frente,

embora saber que direção é esta seja antes um instinto;

nunca uma certeza.

Sigo até o fim da trilha.

 

À minha frente, o mundo torna-se o muro de um beco.

Viro-me para olhar o caminho que fiz até ele.

O caminho não está,

há um abismo.

O desfeito que não pode mais ser percorrido.

É passado.

 

Olho para os lados

Acumulam-se portas e janelas, todas fechadas.

Cenas que eu recusei.

Olho de fora a ceia de família

E também a criança que é posta para dormir.

O meu lugar é na chuva,

 

Numa rua estreita. A espreitar por trás do muro, minha curiosidade se pergunta:

– Além do beco, o que haverá?

-Além do beco, o que serei?

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