O Homem nasce nu.

Seu único bem, nesse momento, é a vida.

A vida: um botão com pétalas e espinho.

A rosa que tens no peito

Desabrocha no dia em que morres.

Tens desde já uma saudade incrível

E ainda nem partiste.

Confunde-a tu com o medo

E para matá-la continuas vivendo.

Faz-se um homem pela rosa que cultiva.

Seus atos de grandiosidade e seus momentos.

Faz-se pelas mãos e pela força de enfrentar o mundo

E por quantas outras vidas influencia.

Faz-se pela luta, pelo temor superado.

Quando sai da terra e quando a ela volta

Faz uma rosa, assim, sua página no mundo.

Que seja não um céu azul em dia de Sol

Mas antes uma tempestade cinza.

Faz antes um dia nebuloso, mas não triste.

Apenas um dia que te faça sentar na janela

E apreciar a delicadeza com que o mundo desaba em gotas.

Faz assim até que ao pó retornes.

Mas que não o faças em silêncio, passivo.

Soa um trovão ao cair das primeiras pétalas

E ao adoecerem teus espinhos já sabes

Que muitas outras rosas o seguem

Em tuas sementes plantadas na terra.

poema escrito em 2006 e revisado 30 de novembro de 2011

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