Verona dos apaixonados – Parte 1

Hoje faz um dia igual ao dia em que cheguei em Verona. Uma chuva eminente se abarrota nas nuvens cinzas. Saí da estação de trem, naquela ocasião, e me encontrei com uma cidade que não era nada do que eu esperava. Parecia uma cidade grande. Uma avenida larga, um monumento em ruínas. Nada em comum com a pequena cidade dos livros e revistas de viagem. Um estranhamento não muito feliz me acomete. Abro o mapa que comprei na tabacaria da estação e lá estão todos os monumentos, pontes, castelo; tudo que eu sempre quis ver estava ali. Caminho pela cidade real e ela não me parece a cidade do mapa, exceto pelos nomes das ruas. Ando a procura da rua do Bed & Breackfast. Confesso que a esta altura eu estava apenas cansada e queria ver a cama antes de ver a cidade. Queria descansar um pouco, me livrar do peso da mochila nas costas. Naquela manhã eu havia deixado para trás Veneza e estava feliz em me encontrar em uma cidade de ruas um pouco mais generosas e menos claustrofóbicas.

Chego à rua do B&B. Caminho até o endereço. É um edifício baixo. Percebo só agora que no meu papel tem também o número do apartamento. Mas lembro-me logo que na Itália é comum que vários hotéis ou B&Bs ocupem o mesmo prédio em andares diferentes. Olho para o interfone. É isso mesmo. Aperto o que deveria ser o B&B. Espero que dona Ornela me atenda. A essa altura eu imaginava que Ornela fosse uma senhora de aproximadamente sessenta anos, que ela tivesse alguns gatos, como a descrição do local dizia no site em que fiz a reserva, e torcia para que ela me atendesse logo porque a chuva começava a se armar. Ninguém atende. Olho para os lados, esperando que alguém apareça. Não há um bar, uma padaria, nada. É uma rua residencial. Vem vindo uma senhora com uma sacola de compras. Animo-me. Mas ela passa por mim e entra na porta ao lado.

A mochila começa a pesar mais e mais. Garoa. Espremo-me contra a parede, no único lugar em que a chuva não chega. Olho para o interfone novamente. Perdi a conta de quantas vezes apertei a campainha de Ornela a espera que ela me atendesse e nada. Começo a ficar já com raiva.

Cansei-me da solução tradicional de esperar e comecei a ter ideias. Eu precisava sair daquela situação. Meus dedos apertaram o botão do apartamento abaixo. Os vizinhos deviam saber quem era ela e se ela voltava logo ou não. Uma senhora não muito simpática me atende. Diz que não sabe onde ela está e me deixa plantada na chuva, com cara de “não posso fazer niente”. A essa altura, a chuva já engrossava e eu começava a ficar um pouco desesperada. Eu não possuía o telefone do B&B e mesmo que possuísse, evidentemente não havia ninguém lá dentro. Ok. Já apertei uma campainha, que mal faria apertar mais uma? Pressiono o botão do apartamento acima do B&B.

Alguns segundos se passaram e eu esperava ouvir uma resposta pelo interfone. Ao invés disso, sai na varanda um homem. Resolvi apelar para minha interpretação de “Donzela em apuros”. Funciona.

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